Data da ultima atualiza�ao
23/10/2018



Leitura

29 de Agosto Dia Nacional de Combate ao Fumo


O que é o Tabagismo?

O tabagismo é uma dependência química e considerada como uma doença crônica pela OMS (CID10 F17). Não há quantidade segura para o consumo de cigarros. A ligação da nicotina aos receptores cerebrais provoca a liberação de dopamina em quantidades maiores do que as que normalmente temos circulando no organismo. Ela tem papel fundamental na homeostase das sensações: tristeza, angústia, alegria, prazer, etc. Após fumar, entre 20-40 minutos, com a diminuição do nível sérico da nicotina e dopamina, ocorre a síndrome de abstinência/fissura.

A dependência química produzida pelo cigarro tem três componentes: (a) Físico: o organismo se acostuma a receber certa dose diária da substância psicoativa, no caso a nicotina, e quando a pessoa deixa de fumar, o corpo precisa se adaptar a ausência dessa substância (Síndrome de Abstinência); (b) Psicológico ou Emocional: o cigarro atua, muitas vezes, como um amortecedor para emoções, sejam elas agradáveis ou desagradáveis; (c) Comportamental: todo fumante desenvolve rituais no uso de cigarros e associa o hábito de fumar com algumas atividades cotidianas, por ex., tomar café.

A ambivalência (querer deixar de fumar versus seguir fumando) está presente no fumante e faz com que o mesmo permaneça em uma situação de conflito permanente: 80% sabem dos riscos de continuar fumando mas não conseguem interromper o seu uso.

O tabagismo está associado a mais de 50 doenças denominadas tabaco relacionadas e é considerada a principal causa evitável de morte. Várias destas doenças ocorrem após períodos de latência que podem ter duração de 20 a 30 anos. A fumaça do cigarro contem em torno de 4700 substâncias, entre as quais vários oxidantes e cancerígenos. O consumo de cigarros é causa de 85% das doenças pulmonares crônicas e de 30% de todos cânceres. As doenças relacionadas ao tabagismo podem ser divididas em: (a) Respiratórias (DPOC, doenças pulmonares intersticiais tabaco relacionadas); (b) Cardiovasculares (IAM, AVC, doenças arteriais obstrutivas); (c) Neoplasias (pulmão, laringe, bexiga e outras); (d) Doenças do ciclo reprodutivo (abortos, descolamento prematuro da placenta, etc); (f) Doenças pela exposição ao tabagismo ambiental, também chamado de tabagismo passivo.

Todo profissional da saúde deveria estar capacitado a realizar a abordagem mínima dos tabagistas (taxa de cessação de 1 a 3% e NNT de 40). Uma abordagem breve pode ter sucesso já que a interrupção do tabagismo depende de vários fatores: grau de motivação e de dependência, morar ou não com outro tabagista, presença de doença mental, uso de outras drogas, etc. Desta forma a abordagem com o objetivo de cessar o tabagismo e prevenir recaídas deve ser feita em todos os momentos, observando as janelas de oportunidade, como na internação hospitalar ou no atendimento no consultório.

A avaliação inicial do tabagista deve incluir exame clínico minucioso e teste de função pulmonar. Existem vários questionários para avaliação do tabagista e definição de suas características, como o teste de Fagerstrom (dependência física) e a Escala de Prochaska e Di Clemente (motivação).

A abordagem comportamental no tratamento do tabagismo tem por objetivos: orientar o indivíduo a reformular suas crenças e mitos relacionados ao tabagismo; desenvolver estratégias e habilidades para lidar com seus sentimentos e com a fissura; promover mudanças no estilo de vida, estimulando práticas de relaxamento (ioga, meditação, mindfullness) e atividades físicas (caminhadas e corridas). É importante que ocorra a troca por hábitos saudáveis; orientar sobre a alimentação, já que o aumento adicional de peso é verificado na maioria dos fumantes após deixar de fumar. A alimentação saudável, com baixa ingesta calórica e a prática de atividade física contribuem para que o IMC fique na faixa adequada.

Muitas vezes é necessário o tratamento medicamentoso durante um período médio de 12 semanas, podendo prolongar-se a critério médico e de acordo com as necessidades do paciente. A abordagem comportamental deve sempre ser feita e sua associação com o tratamento medicamentoso chega a triplicar as taxas de abstinência ao tabaco.

Parar de fumar é a mudança de hábito que mais tem impacto na qualidade de vida e na prevenção das doenças pulmonares. O controle do tabagismo é um dos investimentos em saúde pública com mais retorno positivo nos indicativos de morbimortalidade. No Brasil, as taxas de tabagismo ativo na população adulta vêm diminuindo devido às políticas públicas instituídas. A SBPT juntamente com a AMB teve aprovada no último ano a habilitação em tabagismo e estão abertas até 30/09/2018 as inscrições no site da SBPT para o curso EaD de habilitação em tabagismo, que fornecerá ferramentas para que todos os pneumologistas tratem o tabagismo de seus pacientes.

Dra. Maria Vera Cruz de Oliveira Castellano
Médica pneumologista. Coordena ambulatórios para cessação do tabagismo desde 1999, Diretora do Serviço de Doenças do Aparelho Respiratório do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo.


Links de interesse:
1.    http://www.sbpt.org.br
2.    189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/caderno_40.pdf
3.    www.jornaldepneumologia.com.br/PDF/2008_34_10_14_portugues.pdf


(Dra. Eloara Campos - Diretora de Divulgação SPPT)
 





aaa aaa


Apoio


Novartis

 

Rua Machado Bittencourt, 205 8 andar, cj.83 - Vila Clementino - 04044-000 - São Paulo - SP Tel: 0800-171618 - sppt@sppt.org.br