Data da ultima atualiza�ao
15/11/2018



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Vacinao na Infncia: no h o que temer!

As vacinas são, historicamente, o meio mais efetivo e seguro para se combater e erradicar as doenças infecciosas. No século XX houve a introdução bem-sucedida de várias vacinas, incluindo as contra a difteria, sarampo, caxumba e rubéola. As vacinas são recursos indispensáveis para a saúde individual e pública. Atualmente a varíola é a única doença erradicada mundialmente, sendo o último registro da doença no ano de 1977. Outra doença que está em processo de erradicação é a paralisia infantil (poliomielite). No continente americano não há casos dessa doença desde 1991. No entanto, ainda existem casos de poliomielite em outros países da África e Ásia. Assim, o vírus da doença pode ser trazido para o Brasil por pessoas vindas desses locais. Por isso é extremamente importante que todas as crianças sejam vacinadas contra a doença de acordo com o calendário de vacinação e durante as campanhas nacionais contra a poliomielite. O mesmo mecanismo de propagação de outras doenças, como por exemplo a gripe e o sarampo, pode ocorrer. O Brasil possui um dos mais reconhecidos programas públicos de vacinação no mundo.

A palavra vacina deriva de Varíola vacinae (varíola da vaca) inventado por Edward Jenner para denotar a varíola bovina. É uma preparação biológica que contém um agente que se assemelha ao vírus ou bactéria causadora de determinada doença. A vacina pode ser feita de forma enfraquecida ou morta, da toxina, ou de uma da proteína de superfície do micro-organismo causador da doença. O agente estimula o sistema imune a produzir anticorpos que permanecem no organismo e evitam que a doença ocorra no futuro. As vacinas podem ser profiláticas (preventivas) ou terapêuticas.
Atualmente reflexões e argumentos sem nenhuma base científica se popularizam, principalmente via redes sociais (“fake news”) e outros meios de comunicações, ameaçando seriamente as conquistas da vacinação, podendo levar a um enorme desastre: um retrocesso para o início do século XX onde 1 em cada 5 crianças morriam de alguma doença infecciosa antes de completar 5 anos de idade.
 
I. Pneumonia - vacina anti-pneumocócica:
 
A pneumonia é uma reação inflamatória do pulmão a fatores que o agride, causada por vários micro-organismos, os mais comuns, vírus e bactérias, principalmente o pneumococo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, no Brasil, anualmente, são registrados cerca de 900 mil casos de pneumonias, os idosos, as crianças menores de 5 anos, profissionais de saúde e portadores de doenças crônicas são os grupos de maior risco de complicações e morte pela doença.
 
A vacina anti-pneumocócica reduz o risco de infecções graves causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae (também chamado pneumococo). Essa bactéria é causa comum de infecções respiratórias como otite, sinusite e pneumonia, também pode ocasionar infecções generalizadas como meningite e sepse. A vacina protege principalmente contra as formas mais graves da doença (pneumonia, meningite e sepse). Além disso, diminui a transmissão da bactéria de uma pessoa para outra, o que é importante em ambientes fechados como creches, escolas, orfanatos e asilos. Existem 2 tipos de vacinas anti-pneumocócicas conjugadas a Pneumo 10 e a Pneumo 13. A vacina pneumocócica conjugada 10-valente (VPC10) e a 13-valente (VPC13) previne cerca de 70 a 90% das doenças graves (pneumonia e meningite) em crianças, causadas por dez e treze sorotipos de pneumococos, respectivamente. O Programa Nacional de Vacinação passou a adotar, em 2016, na rotina de vacinação infantil, duas doses com intervalo mínimo de 2 meses no primeiro ano de vida e uma dose de reforço aos 12 meses de idade. Outro tipo de vacina anti-pneumocócica são as polissacarídicas 23 valente (VPP23), composta por partículas purificadas (polissacarídeos) das cápsulas de 23 tipos de pneumococo. Está indicada para pessoas acima de 60 anos e crianças acima de 2 anos que possuem alguma doença crônica (diabetes, doença cardíaca, problemas de imunidade e doença respiratória crônica).

II. Coqueluche (tosse comprida): vacina DTP
 
A coqueluche ou tosse comprida é uma doença infecciosa causada pela bactéria Bordetella pertussis. O número de casos dessa doença tem aumentado em diversos países nos últimos anos. A transmissão se dá pelo contato direto com a pessoa infectada ou por gotículas eliminadas pelo doente ao tossir, espirrar ou falar. Nas crianças e nos idosos, principalmente, pode evoluir para quadros graves com complicações pulmonares, neurológicas e até hemorrágicas.
 
A vacina da coqueluche está presente na tríplice bacteriana DTP composta pela combinação de toxidez purificados de difteria e tétano e suspensão celular inativada de Bordetella pertussis. Deve ser ministrada aos dois, quatro e seis meses de idade, com doses de reforço aos 15 meses e aos 5 anos. Embora a imunização dure cerca de dez anos, essa vacina não deve ser aplicada depois dos seis anos de idade. Nesses casos, a vacina contra difteria, coqueluche e tétano acelular (DPTa) oferece proteção por ~10 anos e pode ser utilizada como forma de prevenir essas doenças. A vacina está contraindicada nos casos de reação adversa grave ou alérgica prévia a essa vacina.

III. Gripe: vacina para Influenzae
 
A gripe é uma doença infecciosa grave causada pelo vírus influenza. Existem três tipos de vírus influenza: A, B e C. Os vírus A e B apresentam maior importância clínica. Estima-se que, em média, o tipo A causa 75% das infecções. O vírus é transmitido a partir das secreções respiratórias, podendo também sobreviver algumas horas em diversas superfícies. A partir do contato com um doente ou com uma superfície contaminada, o vírus pode penetrar pela via respiratória, causando lesões pulmonares, que podem ser graves e até fatais, se não tratadas a tempo. Os sintomas mais comuns são febre alta e dores no corpo intensa, dor de cabeça (podendo ser até confundido com quadro de dengue), obstrução nasal e coriza, tosse e complicações como otites, sinusites e até pneumonia, com ou sem infecção bacteriana secundária.

A vacina da gripe é composta por diferentes cepas do vírus Myxovirus infuenzae inativados, fragmentados e purificados, cultivados em ovos embrionados de galinha. Por conter vírus inativados e fragmentados não é capaz de causar a doença. Está indicada para pacientes de 6 meses a 5 anos de vida, gestantes, idosos acima de 60 anos, professores, profissionais de saúde e para pessoas com doenças crônicas. A única contraindicação são os pacientes que tem reação anafilática (alergia grave) previamente conhecida ao ovo.

Dra Karina Pierantozzi Vergani
Coordenadora do Departamento de Pediatria da SPPT. Mestre em Ciências da Saúde pela FMUSP, Docente de Medicina da Unicid, Pneumologista Pediátrica do ICr-FMUSP e do Instituto de Ensino e Pesquisa de Pneumologia e Tisiologia Clemente Ferreira e Pediatra pelo Hospital Israelita Albert Einstein.

 
Referências Bibliográficas
 
1) http://www.bio.fiocruz.br
2) http://www.scielo.br/pdf/hcsm/v10s2/a13v10s2.pdf
3) http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2018/abril/18; Informe Técnico “20a. Campanha Nacional de Imunização Contra Influenza” Abril/18, Ministério da Saúde
4) http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/coqueluche
5) http://www.who.int/wer/2012/wer8714.pdf?ua=1
6) https://familia.sbim.org.br/doencas/89-doenca-pneumococica-dp

(Dra. Eloara Campos - Diretora de Divulgação SPPT)
 





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