• Link to Instagram
  • Link to Facebook
  • Rua Machado Bitencourt, 205 – Vila Clementino, São Paulo – SP, 04044-000
  • 11-5080-3725 / WhatsApp:11-95783-0178
SPPT - Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia
  • Associe-se
  • Início
  • Quem Somos
    • SPPT
    • Diretoria em exercício
    • Comissões e Departamentos
    • Ex-presidentes
    • Estatuto
    • Regionais
  • Ensino
    • Artigos relevantes
    • Cartilhas SPPT
    • Pneumologia Paulista
    • Aulas gravadas
    • Equações de função pulmonar
  • Eventos
    • Agenda de Eventos
    • Datas comemorativas
    • Central de Certificados
  • Serviço
    • Medicação Alto Custo
    • Tratamento da DAAT
  • Área do associado
  • Click to open the search input field Click to open the search input field Pesquisa
  • Menu Menu

Serie 1: Métodos diagnósticos em Pneumologia – Avaliação Hemodinâmica

23 de abril de 2019/em Notícias/por Jessica

Avaliação hemodinâmica

O cateterismo cardíaco direito é o método padrão ouro para avaliar a presença ou ausência de hipertensão pulmonar, sendo fundamental, portanto, para o diagnóstico da doença. Adicionalmente, o cateterismo cardíaco direito fornece informações valiosas no seguimento dos pacientes com hipertensão pulmonar, avaliando de maneira objetiva a progressão da doença e a resposta ao tratamento clínico instituído. Trata-se de procedimento seguro quando realizado em centros experientes, onde os índices de complicações reportados são baixos.

O exame deve ser realizado ao repouso e em posição supina, preferencialmente em sala de hemodinâmica, com punção venosa guiada por ultrassonografia e progressão do cateter guiada por fluoroscopia (figuras 1 e 2 vídeo). O acesso venoso habitualmente utilizado é a veia jugular interna direita. Porém também é possível realizar o procedimento via veia braquial ou veia femoral. Recomenda-se a utilização do cateter de artéria pulmonar do tipo Swan-Ganz (figura 3 vídeo), o qual permite a obtenção direta do débito cardíaco pelo método de termodiluição, permitindo ainda estimar a pressão de enchimento do ventrículo esquerdo sem a necessidade de acesso arterial, conforme descrito a seguir.

Uma vez inserido o cateter de artéria pulmonar no sistema venoso, o mesmo avançará pelo átrio direito, ventrículo direito e tronco da artéria pulmonar, com registro dos valores pressóricos em cada compartimento, até atingir a circulação pulmonar distal. Na circulação pulmonar distal, através da insuflação do balão terminal (cateter de Swan-Ganz), será obtida a pressão de oclusão da artéria pulmonar, que indiretamente avalia a pressão de enchimento do ventrículo esquerdo (link para vídeo educativo).

A avaliação das curvas pressóricas durante o procedimento deve ser realizada em polígrafo de hemodinâmica dedicado que permita registro e pós-processamento dos dados (figura 4 vídeo). É importante ainda assegurar o nivelamento adequado do sistema pressórico, assim como o correto posicionamento do cateter na circulação pulmonar. 

O débito cárdico pode ser avaliado por dois diferentes métodos: termodiluição ou método de Fick. Atualmente, recomenda-se dar preferência ao método de termodiluição, por se tratar de medida direta do débito cardíaco. A correlação entre os dois métodos é satisfatória, exceção feita à pacientes com insuficiência tricúspide grave.  Na suspeita ou sabida pré-existência de shunt intracardíaco, como no caso das cardiopatias congênitas não corrigidas, a utilização do método de Fick é obrigatória.

A partir da obtenção das medidas pressóricas e do débito cardíaco, podemos calcular a resistência pulmonar total, a resistência vascular pulmonar, a resistência vascular sistêmica, o gradiente transpulmonar, o gradiente diastólico pulmonar, a pressão de pulso, o volume sistólico, o índice de trabalho sistólico do ventrículo direito e a complacência vascular pulmonar, dentre outros parâmetros hemodinâmicos.

Em casos selecionados, pode-se realizar o teste de vasorreatividade pulmonar aguda com óxido nítrico. Atualmente, o teste é reservado aos casos de hipertensão arterial pulmonar idiopática, familiar e induzida por drogas e toxinas, e tem como objetivo identificar os pacientes com componente de vasoconstrição reversível. 

Na suspeita de hipertensão pulmonar secundária a doença cardíaca esquerda com alta probabilidade clínica e/ou pressão de oclusão de artéria pulmonar no limite superior da normalidade, pode-se realizar prova de volume com solução salina ou cateterismo direito de exercício para o diagnóstico de hipertensão pulmonar venosa oculta.

A utilização do cateterismo cardíaco direito de exercício também pode ser considerado na avaliação complementar de casos onde existe fator de risco estabelecido para hipertensão arterial pulmonar, porém a pressão de artéria pulmonar média de repouso não atinge a faixa diagnóstica. Adicionalmente, pode-se considerar o cateterismo cardíaco direito de exercício em casos com hipertensão pulmonar ao repouso já estabelecida, onde objetiva-se quantificar a reserva vascular pulmonar e a reserva ventricular direita sob estresse. 

O cateterismo cardíaco de exercício é realizado acoplando-se um cicloergômetro portátil à mesa de hemodinâmica (figura 5 vídeo). Após a realização da avaliação de repouso, o paciente realiza exercício supino no cicloergômetro acoplado seguindo um protocolo específico até seu limite máximo (vídeo do procedimento).  Durante cada estágio de exercício é realizado o registro pressórico e de débito cardíaco, com posterior cálculo dos demais parâmetros hemodinâmicos, à espelho do cateterismo cardíaco de repouso. Recomenda-se a realização de pelo menos quatro estágios distintos de esforço para interpretação apropriada da resposta hemodinâmica pulmonar ao estresse. Atualmente, o cateterismo cardíaco direito de exercício é corroborado pelas sociedades médicas internacionais e seu uso é cada vez mais difundido no contexto da avaliação complementar da hipertensão pulmonar e da dispneia de etiologia desconhecida.

Rudolf K. F. Oliveira
Professor Visitante & Médico Responsável pela Avaliação Hemodinâmica de Repouso e de Exercício. Setores de Doenças da Circulação Pulmonar, Função Pulmonar e Fisiologia Clínica do Exercício. Disciplina de Pneumologia, Departamento de Medicina. Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo.

Leitura recomendada:

1. Galiè N, Humbert M, Vachiery J, et al. 2015 ESC/ERS Guidelines for the diagnosis and treatment of pulmonar hypertension. Eur Respir J 2015; 46: 903–75.
2. D`Alto M, Dimopoulos K, Coghlan JG, et al. Right heart catheterization for the diagnosis of pulmonary hypertension: controversies and practical issues. Heart Fail Clin. 2018;14:467-77.
3. Oliveira RK, Ferreira EV, Ramos RP, et al. Usefulness of pulmonary capillary wedge pressure as a correlate of left ventricular filling pressures in pulmonary arterial hypertension. J Heart Lung Transplant. 2014;33:157-62.
4. Kovacs G, Herve P, Barbera JA, et al. An official European Respiratory Society statement: pulmonary haemodynamics during exercise. Eur Respir J 2017;50:1700578

Acompanhem pelo site: www.sppt.org.br, newsletter ou na página do Facebook da SPPT: https://www.facebook.com/SocSPPT/. 

Divulgação exclusiva da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia – SPPT

Dra. Eloara Campos – Diretora de Divulgação da SPPT


https://sppt.org.br/wp-content/uploads/2019/04/sppb928ee95df65bc3872404ce32381710c.png 72 100 Jessica https://sppt.org.br/wp-content/uploads/2024/10/logo-sppt-bottom.png Jessica2019-04-23 15:59:322019-04-23 15:59:32Serie 1: Métodos diagnósticos em Pneumologia – Avaliação Hemodinâmica

Série 1: Métodos Diagnósticos em Pneumologia – Avaliação de Shunt por trocas Gasosas

23 de abril de 2019/em Notícias/por Jessica

Shunt é o termo utilizado para descrever o sangue que entra no leito arterial sistêmico sem passar pelas áreas ventiladas do pulmão, levando à redução da pressão arterial parcial de oxigênio (PaO2). Nos pulmões normais, ocorre com o sangue da artéria brônquica coletado pelas veias pulmonares após a perfusão dos brônquios. Também pode ocorrer fisiologicamente com pequena quantidade do sangue venoso coronariano que drena diretamente para o ventrículo esquerdo pelas veias cardíacas mínimas. Em conjunto, esses shunts representam apenas 3 a 5% do débito cardíaco, mas podem atingir uma proporção maior em algumas situações patológicas, tais como na fístula arteriovenosa pulmonar e na doença cardíaca com comunicação entre câmaras direitas e esquerdas [1].

Estudos clássicos na literatura, desde a década de 50 do século passado, confirmaram a presença de anastomoses arteriovenosas pulmonares através da utilização de esferas de vidro ou líquido de látex radiopaco [2]. Ao longo dos anos, várias outras técnicas foram desenvolvidas para a análise qualitativa e/ou quantitativa do shunt.

A pesquisa de shunt faz parte da investigação de causas de hipoxemia, podendo estar presente em inúmeras condições clínicas, tais como pneumonia, atelectasia/colapso pulmonar, hepatopatias, cardiopatias congênitas e malformações vasculares. Além do diagnóstico, costuma ser fundamental para determinação de prognóstico e avaliação pré e pós-tratamento (cirurgia, embolização).

Método de Trocas Gasosas para cálculo de shunt 

1. O cateterismo cardíaco de câmaras direitas possibilita a detecção, localização e avaliação da magnitude do shunt através de diferentes métodos, tais como a identificação de salto oximétrico (diferença no conteúdo de oxigênio ou saturação) e medida do débito sistêmico e pulmonar (Qp/Qs). 

2. Existe um método não-invasivo por meio de trocas gasosas, pouco utilizado fora do ambiente acadêmico, realizado por coleta de gasometria arterial em repouso e após suplementação de oxigênio. A fração de shunt é calculada após a administração de oxigênio a 100% no fluxo de 10L/min durante cinco a dez minutos [3] utilizando-se uma máscara conectada a um Saco de Douglas. 

3. O método mais preciso, porém menos disponível, é a técnica de eliminação de múltiplos gases inertes (MIGET) [4]. Através da infusão intravenosa de gases com diferentes graus de solubilidade e que não reagem com a hemoglobina, seguida da coleta de amostras de sangue venoso misto e arterial e do ar expirado, via análise por cromatografia, podem ser detectadas as taxas de retenção arterial e excreção alveolar dos gases.

Outros métodos para avaliação de shunt 

1. O shunt intracardíaco é facilmente avaliado qualitativamente através do ecocardiograma contrastado com salina agitada [5]. Após a injeção em veia periférica de salina isotônica agitada e misturada com o ar ambiente, é observada a presença de microbolhas nas câmaras direitas pela janela apical de quatro câmaras. A detecção subsequente de microbolhas no ventrículo esquerdo até cinco ciclos cardíacos confirma a presença de shunt intracardíaco. Se não houver passagem de bolhas, pode ser realizada a manobra de Valsalva ao final da expiração para testar a patência do forame oval. O surgimento tardio de microbolhas nas câmaras esquerdas, por sua vez, usualmente após o quinto ciclo cardíaco, é sugestivo de shunt intrapulmonar. 

2. Na cintilografia de corpo inteiro, técnica não invasiva que possibilita a detecção e estimativa da fração de shunt, são utilizadas partículas de macroagregados de albumina com Tc99m, as quais normalmente não atravessam o leito capilar pulmonar pelo seu tamanho. Desse modo, a captação extrapulmonar do radiotraçador visualizada, por exemplo, no cérebro, rins e baço, é indicativa de shunt direita- esquerda. O tempo e o percentual de acúmulo de radioatividade nos pulmões em comparação com a radiotividade do corpo inteiro permite quantificar a fração de shunt [6].

3. Dada a relevância clínica, inúmeros outros métodos não invasivos estão em aperfeiçoamento para a avaliação do shunt, incluindo a tomografia computadorizada de tórax, a ultrassonografia pulmonar, a ressonância magnética do tórax e o teste de exercício cardiopulmonar.

Camila Melo Coelho Loureiro
Pneumologista. Pós-graduanda (Doutorado) da Disciplina de Pneumologia, Setores de Circulação Pulmonar e Função Pulmonar e Fisiologia Clínica do Exercício (SEFICE), Unifesp/EPM.
Médica pneumologista do Hospital Universitário Professor Edgard Santos/ UFBA e do Hospital São Rafael.

Eloara Vieira Machado Ferreira Álvares da Silva Campos
Pneumologista. Professora Adjunta & Supervisora do Programa de Residência Médica em Pneumologia, Unifesp/EPM. Setores de Circulação Pulmonar e Função Pulmonar e Fisiologia Clínica do Exercício (SEFICE), Disciplina de Pneumologia. Médica do Laboratório de Função Pulmonar e Ergoespirometria do Hospital Sírio Libanês. 

1. West, J. Fisiologia respiratória: princípios básicos. 9 ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.
2. Liebow AA, Hales MR, Bloomer WE, Harrison W, Lindskog GE. Studies of the lung after ligation of the pulmonary artery. II. Anatomical changes. Am J7 Pathol 1950;26: 177-95.
3. Vodoz JF, Cottin V, Glérant JC, et al. Right-to-left shunt with hypoxemia in pulmonary hypertension. BMC Cardiovasc Disord. 2009;9:15. 
4.Wagner P D. The multiple inert gas elimination technique (MIGET). Intensive Care Med 2008; 34: 994–1001.
5.Hackett HK, Boulet LM, Dominelli PB, Foster GE. A methodological approach for quantifying and characterizing the stability of agitated saline contrast: implications for quantifying intrapulmonary shunt. J Appl Physiol 2016; 121: 568–576. 
6.Hosono M, Machida K, Honda N, et al. Quantitative lung perfusion scintigraphy and detection of intrapulmonary shunt in liver cirrhosis. Ann Nucl Med. 2002;16(8):577-81.

Acompanhem pelo site: www.sppt.org.br, newsletter ou na página do Facebook da SPPT: https://www.facebook.com/SocSPPT/. 

Divulgação exclusiva da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia – SPPT

Dra. Eloara Campos – Diretora de Divulgação da SPPT

https://sppt.org.br/wp-content/uploads/2019/04/spp4db258b468683ec77b400a89a6eca2d2.png 70 100 Jessica https://sppt.org.br/wp-content/uploads/2024/10/logo-sppt-bottom.png Jessica2019-04-23 15:57:482019-04-23 15:57:48Série 1: Métodos Diagnósticos em Pneumologia – Avaliação de Shunt por trocas Gasosas

Reabilitação Pulmonar

23 de abril de 2019/em Notícias/por Jessica

As doenças pulmonares crônicas são progressivas e levam a comprometimentos extrapulmonares que contribuem para a morbidade e mortalidade nessa população. Embora fazendo uso da máxima terapêutica medicamentosa (broncodilatadores, corticosteroides, oxigenoterapia, etc), os doentes pulmonares crônicos continuam queixando-se de sintomas debilitantes como a dispneia e fadiga. Neste contexto, a reabilitação pulmonar é a terapia não farmacológica que traz benefícios substanciais e, portanto, tem sido considerada mandatória no manejo desses indivíduos.

O programa de reabilitação pulmonar é composto de treinamento físico, intervenções nutricionais, sessões educacionais e suporte psicológico, ambas voltadas para o auto manejo e mudança de comportamento. Por isso, a necessidade de uma equipe composta por diversos profissionais da área da saúde. Dentre esses componentes, o treinamento aeróbio (endurance) constitui a principal estratégia para melhorar a tolerância ao esforço. É comumente realizado em esteira ou bicicleta ergométrica, de três a cinco vezes por semana, por 20 a 60 minutos, a uma intensidade acima de 60% da taxa máxima de trabalho. O treinamento aeróbio de alta intensidade é recomendado, pois determina maiores benefícios fisiológicos quando comparado ao de baixa intensidade.

O treinamento de força tem sido adicionado ao treinamento aeróbio, pois é específico para determinar aumento de massa e força musculares, as quais estão relacionadas à sobrevida, ao uso de serviços de saúde e à capacidade de exercício em pneumopatas. Geralmente são realizadas uma a três séries, de 8 a 12 repetições, com carga de 50 a 85% da força máxima para cada agrupamento muscular (membros superiores e inferiores), de duas a três vezes na semana. O treinamento específico da musculatura respiratória torna-se interessante para aqueles sujeitos que apresentam fraqueza muscular respiratória (pressão inspiratória máxima -60 cmH2O). Entretanto, os resultados têm sido conflitantes em termos de melhora da capacidade funcional, dispneia e qualidade de vida. Neste sentido, não há evidências que justifiquem o seu uso rotineiro na reabilitação pulmonar, devendo ser avaliado em cada caso.


Avaliação durante teste de caminhada


Treinamento aerobio em esteira

O programa educacional, voltado para o auto manejo da doença, em combinação com o suporte psicológico, englobando intervenções comportamentais, são importantes para a manutenção dos benefícios e para que o indivíduo se conscientize da importância de reduzir o comportamento sedentário e se manter fisicamente ativo mesmo após o término do programa. 

Mediante a pouca disponibilidade de centros de reabilitação pulmonar e as barreiras que impedem o indivíduo de frequentar e/ou finalizar o programa, a reabilitação domiciliar é uma opção e tem apresentando resultados similares à reabilitação ambulatorial quanto à redução da dispneia, ao aumento da capacidade de exercício e à melhora da qualidade de vida (12, 13).

A reabilitação pulmonar deve ser incorporada como uma das intervenções a serem indicadas para o tratamento de indivíduos com doença pulmonar crônica. Sem dúvida, o treinamento físico (aeróbio e resistido) é um dos componentes essenciais para o programa de reabilitação. Há evidências, baseadas em meta-análises, demonstrando aumento da capacidade funcional, redução da dispneia e melhora da qualidade de vida na doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), fibrose cística, hipertensão pulmonar e doença pulmonar intersticial. Além disso, na DPOC e bronquiectasia, também tem sido relatada diminuição na frequência de exacerbações e, consequentemente, no número de internações e procura por serviços de saúde.
Simone Dal Corso 
Fisioterapeuta. Doutora e Pós-doutora pela Universidade Federal de São Paulo. Professora do Programa de Mestrado e Doutorado em Ciências da Reabilitação da Universidade Nove de Julho, São Paulo.

José Carlos Rodrigues Junior
Fisioterapeuta. Especialista em Fisioterapia Cardiorrespiratória pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Mestre em Ciências da Reabilitação -Universidade Nove de Julho, São Paulo, SP

Referências
Beaumont M, Forget P, Couturaud F, Reychler G. Effects of inspiratory muscle training in COPD patients: A systematic review and meta-analysis. Clin Respir J 2018; 12:2178-2188.
Liao WH, Chen JW, Chen X, et al. Impact of resistance training in subjects with COPD: A systematic review and meta-analysis. Respir Care 2015;60:1130–45.
Liu XL, Tan JY, Wang T, et al. Effectiveness of home-based pulmonary rehabilitation for patients with chronic obstructive pulmonary disease: a meta-analysis of randomized controlled trials. Rehabil Nurs. 2014;39(1):36–59. 
Spruit MA, Singh JS, Garvey C, ZuWallack R, Nici L, Rochester C, et al. An  Official American Thoracic Society/European Respiratory Society Statement: Key Concepts and Advances in Pulmonary Rehabilitation. Am J Respir Crit Care Med. 2013; 188:e13–e64.

Acompanhem pelo site: www.sppt.org.br, newsletter ou na página do Facebook da SPPT: https://www.facebook.com/SocSPPT/. 

Divulgação exclusiva da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia – SPPT

Dra. Eloara Campos – Diretora de Divulgação da SPPT

https://sppt.org.br/wp-content/uploads/2019/04/spp54beef1eeeaeef352737aa6bdfe0784a.png 69 100 Jessica https://sppt.org.br/wp-content/uploads/2024/10/logo-sppt-bottom.png Jessica2019-04-23 15:54:062019-04-23 15:54:06Reabilitação Pulmonar

SBPT se posiciona contra a possível redução de impostos sobre o cigarro no Brasil

23 de abril de 2019/em Notícias/por Jessica

A SPPT endossa e solicita que seus associados divulguem o  posicionamento de repúdio da SBPT à proposta de estudo do Ministério da Justiça para avaliar redução de impostos no preço do cigarro.

O Ministério da Justiça publicou no Diário Oficial da União de 25/03 a Portaria nº 263/2019, instituindo grupo de trabalho para avaliar a “conveniência e oportunidade” de reduzir a tributação sobre cigarros fabricados no Brasil. Veja as medidas tomadas pela SBPT em relação ao assunto.

  1. 1. A SBPT foi uma das primeiras associações médicas a assinar um documento conjunto apontando a extrema preocupação diante da criação deste Grupo de Trabalho para avaliar a conveniência e oportunidade da redução da tributação de cigarros fabricados no Brasil e, assim, “diminuir o consumo de cigarros estrangeiros de baixa qualidade, o contrabando e os riscos à saúde dele decorrentes”. Um resumo desta carta aberta segue no final desta nota para conhecimento dos nossos associados.
  2. 2. Estivemos em reunião com o Dr. Denizar Vianna, Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, quando fomos informados que o MS desconhece oficialmente esta ação, que não foi contatado e que pessoalmente é absolutamente contra. Só poderá opinar se for chamado para tal.
  3. 3. Contatamos o Dr. Alberto Araujo, colocando à disposição do Fórum do Tabagismo a nossa estrutura para eventuais encaminhamentos e a solicitação de que nossos associados se integrem na assinatura deste documento.
  4. 4. Solicitamos às nossas Regionais que se integrem à solicitação de revogação desta Portaria na imprensa local dos respectivos estados.

Acesse aqui o modelo de carta oficial da Sociedade de Pneumologia e Tisiologia do Rio de Janeiro (SOPTERJ).

Abraços,

Dr. José Miguel Chatkin, Presidente da SBPT.
Brasília, 29 de março de 2019.

CARTA ABERTA

Ao Excelentíssimo Senhor Doutor Sergio Fernando Moro, Ministro da Justiça e Segurança Pública

C/c: Ministro da Saúde – Exmo. Sr. Luiz Henrique Mandetta

C/c: Ministro da Economia – Exmo. Sr. Paulo Guedes

C/c: Secretário Nacional do Consumidor – Ilmo. Sr. Luciano Benetti Timm

REF. Discordância plena à proposta de reduzir tributos sobre produtos de tabaco.

A tributação de produtos de tabaco e a eliminação de todas as formas de comércio ilícito desses produtos são medidas previstas na Convenção Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT), primeiro tratado internacional de saúde pública, ratificado por 181 países, inclusive pelo Brasil (Decreto 5.658/2006). Evidências científicas internacionais e nacionais apontam que o aumento de preços e impostos é considerado a medida mais custo-efetiva para prevenção e redução de consumo de cigarros. Aumento de preços na ordem 10% é capaz de reduzir o consumo de produtos do tabaco em cerca de 8% em países de média e baixa renda, como o Brasil, além de contribuir para que tabagistas deixem de fumar e de inibir a iniciação em crianças e adolescentes.

A fórmula é simples: quanto mais caro o produto, mais difícil o acesso. Dessa forma, evita-se a iniciação de novos fumantes (em geral, crianças e adolescentes) e estimula-se a cessação do tabagismo.

No Brasil, foi adotado aumento progressivo de impostos resultando em queda significativa da prevalência de fumantes, passando de 14,8% para 10,2%, entre 2011 e 2016, respectivamente. Este êxito tem recebido elogios explícitos de inúmeras organizações internacionais. Porém, ainda não foi estabelecida uma política fiscal escalonada para os anos subsequentes.

Mesmo com esta estratégia, o preço mínimo dos cigarros no Brasil é muito baixo frente ao mercado mundial. O preço da marca mais vendida de cigarro no país, ajustado pelo poder de compra da população, é praticamente a metade do que é praticado em outros países. Em alguns casos, chega a ser até um quinto.

A eliminação de todas as formas de comércio ilícito de produtos de tabaco – como o contrabando, a fabricação ilícita, a falsificação – e a elaboração e a aplicação de uma legislação específica, com acordos sub-regionais, regionais e mundiais são componentes essenciais para o controle do tabaco.

A estimativa da proporção de cigarros ilegais consumidos no Brasil em 2017 foi de 38,5% do consumo total de cigarros.

A nosso ver, a questão tributária e a questão do contrabando de cigarros devem ser devidamente enfrentadas pelo poder público, e, em momento algum, a ameaça do contrabando deve inibir a adoção de políticas de saúde pública para a redução do tabagismo.

Para o enfrentamento desse reconhecido problema, é fundamental a implementação no Brasil do Protocolo para Eliminar o Comércio Ilícito de Tabaco, instrumento legal ratificado pelo país por meio do Decreto 9.516/2018, que prevê a adoção de medidas que envolvem iniciativas em âmbito nacional, esforços diplomáticos entre países fronteiriços, ações coordenadas de inteligência e fiscalização, bem como outras iniciativas que visam reduzir o comércio ilícito de todos os produtos, inclusive mas não apenas os de tabaco.

Para tanto, foi criado o Comitê para Implementação do Protocolo para Eliminar o Comércio Ilícito de Produtos do Tabaco, por meio do Decreto 9.517/2018, no âmbito da CONICQ – Comissão Nacional para Implementação da Convenção Quadro para o Controle do Tabaco e de seus Protocolos. O Ministério da Justiça e Segurança Pública é membro da CONICQ e deste Comitê, como se depreende dos respectivos decretos mencionados.

Merece destaque o fato de que o Paraguai, no ano passado, por meio de autoridades sanitárias do país, manifestou intenção de atuar mais ativamente em controle do tabaco e no combate ao contrabando de cigarros, o que indica uma oportunidade para o Brasil e toda a região.

O custo do tabagismo atinge R$ 56,9 bilhões por ano no país, o equivalente a quase 1% do PIB anual e é cerca de quatro vezes superior ao que se arrecada com os tributos sobre produtos de tabaco no mesmo período. Neste sentido, adotar novas políticas fiscais de aumento de impostos federais e estaduais incidentes sobre tabaco trará benefícios sanitários e econômicos. A eventual diminuição da carga tributária especificamente relacionada aos produtos do tabaco.

Assim, pelo presente documento vimos requerer a V.Exa. que revogue a Portaria 263/2019, do Ministério da Justiça, e que as autoridades das áreas da saúde, economia e finanças atuem sim para aumentar os preços e tributos dos produtos de tabaco, e que seja efetivamente implementado o Protocolo para Eliminar o Comércio Ilícito de Tabaco no país, por meio do Comitê para Implementação do Protocolo para Eliminar o Comércio Ilícito de Produtos do Tabaco.

Só assim agiremos com coerência aliando medidas econômicas, sanitárias e de segurança pública em prol dos interesses do país e da população brasileira.

Entidades signatárias no documento original:

ACT Promoção da Saúde; Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia – SBPT; Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica – SBOC; Sociedade Brasileira de Pediatria – SBP; Sociedade de Pneumologia e Tisiologia do Estado do Rio de Janeiro – SOPTERJ; Sociedade Paulista de Pediatria – SPP e mais 43 entidades nacionais e internacionais.

https://sppt.org.br/wp-content/uploads/2019/04/spp1f821269d390ba99861586ccba7ad122.jpg 72 100 Jessica https://sppt.org.br/wp-content/uploads/2024/10/logo-sppt-bottom.png Jessica2019-04-23 15:50:522019-04-23 15:50:52SBPT se posiciona contra a possível redução de impostos sobre o cigarro no Brasil

Série 1: Métodos Diagnósticos em Pneumologia – Ergoespirometria

23 de abril de 2019/em Notícias/por Jessica

O teste de exercício cardiopulmonar (TECP) ou ergoespirometria é um teste reprodutível, limitado por sintomas e de maior complexidade do que o teste ergométrico. Pode ser realizado em esteira rolante ou cicloergômetro (bicicleta) na maior parte dos laboratórios de fisiologia do exercício. Para atletas podem ser feitas variações conforme a modalidade, utilizando-se aparelhos portáteis em algumas situações. O protocolo utilizado é em rampa, incremental, com duração de 7-12 min, para obtenção de um teste máximo e compreensão da interação entre os sistemas cardiocirculatório, ventilatório e muscular. Testes de carga constante também podem ser realizados após um teste incremental máximo, principalmente para avaliação pós-intervenção.

As principais indicações deste exame são para avaliação de:

  • Dispneia (falta de ar ou cansaço) aos esforços ou de sintomas desproporcionais em relação à doença de base;
  • Gravidade e prognóstico, especialmente nas doenças respiratórias e cardiovasculares;
  • Pré-operatório, como nas cirurgias de tórax para ressecção pulmonar ou cirurgias de grande porte, como abdominais;
  • Pré-transplante cardíaco (no transplante pulmonar seu papel ainda não está definido);
  • Pré e pós-reabilitação cardíaca ou pulmonar, para determinação do treinamento e avaliação da melhora durante e após o programa de reabilitação;
  • Para atletas e esportistas, na prescrição do treinamento e acompanhamento do desempenho, além de avaliação de risco cardiovascular;
  • Avaliação pós-intervenção medicamentosa;
  • Diagnóstico de broncoespasmo induzido pelo exercício.

Os dados mais utilizados do teste são:

  • O consumo máximo de oxigênio (V’O2max)
  • Determinação dos limiares, chamados por exemplo de limiar I (ou limiar de lactato ou limiar anaeróbico) e limiar II (ou ponto de compensação respiratório);
  • Entretanto, além do V’O2max e dos limiares, outras variáveis devem ser analisadas:
  • Respostas cardiovasculares: observar o comportamento da pressão arterial, da frequência cardíaca em relação a demanda metabólica, do pulso O2 (que indiretamente reflete o volume sistólico) e da relação entre o V’O2-carga; é fundamental a avaliação eletrocardiográfica contínua para avaliar resposta isquêmica ou arritmias;
  • Respostas ventilatórias e de trocas gasosas: avaliar a reserva ventilatória (sendo necessário uma espirometria ou medida da ventilação voluntária máxima antes do teste), medida da capacidade inspiratória, resposta da ventilação minuto para produção de dióxido de carbono (CO2), pressão expiratória final de CO2 e saturação periférica de O2;
  • Importante avaliar a sensação de desconforto respiratório ou muscular durante o exercício e entender qual foi o principal sintoma limitante, avaliado pela escala de Borg, ou outros sintomas, como pré-síncope (tontura) ou angina (dor no peito).
  • Pode ser acrescentado a coleta de gasometria arterial (ou de sangue arterializado de lobo de orelha) para avaliação de trocas gasosas ou dosagem de lactato durante o exercício;

Em relação à segurança do teste, o risco de complicações é baixo, desde que alguns cuidados sejam tomados:

Avaliar antes de iniciar o teste (maior risco para o exame e considerar suspensão do mesmo)

  • Hipoxemia – SpO2 < 88%
  • Hipertensão arterial sistêmica PAS > 160 mmHg ou PAD > 100 mmHg
  • Síncope recente (nos últimos 30 dias)
  • Arritmia não controlada

Durante o teste (critérios para interrupção do exame):

  • Dessaturação significativa durante o exame (SpO2 < 80%)
  • Hipertensão arterial sistêmica PAS > 230 mmHg ou PAD > 130 mmHg
  • Redução da PAS em mais de 10mmHg em relação a medida anterior
  • Sinais de baixo débito cardíaco ou alteração de perfusão
  • Surgimento de taquiarritmias ou novo bloqueio de ramo esquerdo
  • Angina de intensidade moderada a intensa durante o exercício

O laboratório de ergoespirometria é estruturado com os seguintes equipamentos:

  • Carro metabólico acoplado a um monitor para eletrocardiograma contínuo
  • Pelo menos um ergômetro (bicicleta e/ou esteira)
  • Oxímetro de pulso
  • Esfigmomanômetro (automático ou manual)

A equipe é composta de pelo menos um médico e um técnico, ambos experientes na realização do exame e em suporte avançado de vida. O laudo, em geral, é realizado pelo médico examinador, sendo fundamental sua formação em fisiologia do exercício.

Eloara Vieira Machado Ferreira Álvares da Silva Campos
Pneumologista. Professora Adjunta & Supervisora do Programa de Residência Médica em Pneumologia. Setores de Circulação Pulmonar e Função Pulmonar e Fisiologia Clínica do Exercício (SEFICE), Disciplina de Pneumologia, Unifesp/EPM. Médica do Laboratório de Função Pulmonar Avançada e Ergoespirometria, Medicina Diagnóstica, Hospital Sírio Libanês.

Referências bibliográficas:
1. ERS Monograph 2018, Clinical Exercise Testing.Edited by Paolo Palange, PierantonioLaveneziana, J. Alberto Neder and Susan A. Ward. Book | Published in 2018 DOI: 10.1183/2312508X.erm8018. ISBN (electronic): 978-1-84984-096-5
2. Mont L, Pelliccia A, Sharma S, et al. Pre-participation cardiovascular evaluation for athletic participants to prevent sudden death: Position paper from the EHRA and the EACPR, branches of the ESC. Endorsed by APHRS, HRS, and SOLAECE. Eur Prev J Cardiol 2017:24:41-69 https://www.ncbi.nlm.nih.gov/m/pubmed/27815537/i=1&from=mont%20l%20and%20pre%20participation
3. Wijeysundera DN, Pearse RM, Shulman MA, et al.Assessment of functional capacity before major non-cardiac surgery: an international, prospective cohort study. Lancet 2018; 391: 2631–40

Acompanhem pelo site: www.sppt.org.br, newsletter ou na página do Facebook da SPPT: https://www.facebook.com/SocSPPT/.

Divulgação exclusiva da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia – SPPT

Dra. Eloara Campos – Diretora de Divulgação da SPPT

https://sppt.org.br/wp-content/uploads/2019/04/spp01324fba68ce92bfc543666e8766d9d3.jpg 72 100 Jessica https://sppt.org.br/wp-content/uploads/2024/10/logo-sppt-bottom.png Jessica2019-04-23 15:48:552019-04-23 15:48:55Série 1: Métodos Diagnósticos em Pneumologia – Ergoespirometria

Série 2: Métodos Diagnósticos em Cirurgia Torácica – SPPT

23 de abril de 2019/em Notícias/por Jessica

Finalizamos a “Série 1: Métodos Diagnósticos em Pneumologia” e a partir deste mês, a Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT) iniciará a divulgação da “Série 2: Métodos Diagnósticos em Cirurgia Torácica” mantendo o foco na nossa prática clínica por meio de textos objetivos e imagens ilustrativas.  Aos interessados em revisitar a série 1, todos os tópicos estão no nosso site e na página do Facebook da SPPT.

A Série 2 foi elaborada pelo Departamento de Cirurgia Torácica da SPPT e os temas serão divulgados, semanalmente, divididos em 4 tópicos.

“Os procedimentos operatórios minimamente invasivos utilizados para o diagnóstico das afecções que acometem órgãos e estruturas intratorácicas representam os avanços tecnológicos e as inovações que aprimoram a assistência do Cirurgião Torácico na minimização do trauma e no melhor desfecho.

Procedimentos como Toracocentese diagnóstica guiada por ultrassonografia, Biópsia por punção percutânea de lesão intratorácica guiada por imagem, Videotoracoscopia diagnóstica e Mediastinoscopia Cervical, apresentadas por renomados especialistas em suas áreas de atuação são o marco na transformação da Medicina na prática de operações de menor repercussão funcional visando a melhor recuperação do indivíduo no manejo de sua doença”.

Luis C. Losso
Presidente do Departamento de Cirurgia Torácica da SPPT

Acompanhem pelo site: www.sppt.org.br, newsletter ou na página do Facebook da SPPT: https://www.facebook.com/SocSPPT/. Esperamos que essas séries sejam úteis e construtivas para nossa prática clínica!

Eloara V. M. Ferreira A. S. Campos        &        Roberto Rodrigues Júnior Diretora de Divulgação da SPPT                       Presidente da SPPT 

Divulgação exclusiva da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia – SPPT

https://sppt.org.br/wp-content/uploads/2019/04/sppbed8ce08b22768a5312ee028ef38a56c.jpg 72 100 Jessica https://sppt.org.br/wp-content/uploads/2024/10/logo-sppt-bottom.png Jessica2019-04-23 15:43:332019-04-23 15:43:33Série 2: Métodos Diagnósticos em Cirurgia Torácica – SPPT

Série 2: Métodos Diagnósticos em Cirurgia Torácica – Toracocentese

23 de abril de 2019/em Notícias/por Jessica

A toracocentese consiste na punção com agulha fina do espaço pleural, por via transparietal, realizada para a coleta de fluidos[1]. A principal indicação é “diagnóstica” (coleta de amostra do derrame pleural para exames) ou “alívio” (retirada de maior volume para melhora da mecânica ventilatória). Todavia, em boa parte dos procedimentos, esses dois objetivos se mesclam.

Trata-se de um procedimento bastante seguro, minimamente invasivo, realizado com anestésico local, muitas vezes na beira do leito.

Não existem contraindicações absolutas, contudo, em algumas condições, o risco vs benefício devem ser criteriosamente avaliadas.  As mais frequentes são as alterações na coagulação, que devem ser corrigidas, assim como o uso de medicações anticoagulantes interrompido.

Contraindicações relativas são lesões cutâneas e o volume de derrame pleural inferior a 10 mm na radiografia de tórax em decúbito lateral. Se a punção for guiada por ultrassonografia, ela pode ser feita com segurança mesmo em pequenos acúmulos líquidos pleurais.

A ventilação mecânica não figura como contraindicação, mas atenção ao pneumotórax pós procedimento deve ser redobrada pelo risco de rápida progressão.

Apesar da toracocentese, na maioria dos casos, poder ser realizada com segurança após exame clínico criterioso somado a um exame de imagem (radiografia de tórax ou tomografia). Atualmente, é recomendado o uso do ultrassom para guiar o exame em tempo real sempre que possível, isto permite uma maior precisão na escolha do local de punção, além de avaliar sinais de loculação, estimar o volume de líquido (Figura 1) e, após o final do procedimento, avaliar volume residual e aparecimento de complicações, como pneumotórax. Em última análise, o uso do ultrassom durante a toracocentese resulta em procedimento mais efetivo e com menor probabilidade de complicações.[2]

Figura 1

A punção torácica é realizada geralmente com Jelco calibre 14G (Figura 2) ou 16G, todavia, alguns autores utilizam o cateter de acesso venoso central por ser mais longo ou cateteres comerciais próprios para a punção de tórax, entretanto, o custo pode ser uma limitação ao uso destes.  Deve-se sempre procurar tangenciar a borda superior do arco costal para reduzir o risco de lesões de vasos intercostais.


Figura 2

O procedimento é realizado preferencialmente com o paciente sentado, com os braços apoiados para frente sobre um anteparo, por exemplo, uma mesa de Mayo com travesseiro (Figura 3). Para os pacientes em que este posicionamento não pode ser obtido sugere-se o decúbito lateral do lado do derrame ou semi-sentados no leito.

Figura 3

Devido ao risco de edema de reexpansão, os sistemas de pressão negativa – como os frascos a vácuo – quando utilizados, devem ser utilizados com cautela. Recomenda-se ainda que o procedimento seja interrompido se o paciente apresentar desconforto respiratório, dor torácica, tosse ou hipotensão. Sabe-se que retirada de volumes superiores a 1.500 ml de líquido por sessão aumenta o risco de edema pulmonar de reexpansão.

Uma observação importante é a correta separação do líquido pleural para analise, respeitando-se as normas do seu laboratório, por exemplo, álcool 70% para citologia oncótica. 

As complicações mais frequentes são: pneumotórax (incidência entre 3% e 19%), hemotórax, reflexo vago-vagal, dor e tosse.  Os primeiros ocorrem pela punção inadvertida do pulmão (pneumotórax) ou de vasos na parede (hemotórax) e são geralmente tratados com drenagem torácica fechada. Os últimos ocorrem com maior frequência ao final da toracocentese principalmente na retirada de volumes superiores a 1.500 ml. Outras complicações, menos frequentes, são: a infecção local, lacerações hepáticas ou esplênicas.[3]

A biópsia de pleura por agulha pode ser realizada por técnica semelhante à toracocentese, mas depende da disponibilidade de agulhas apropriadas. No Brasil, o modelo mais difundido é a agulha de COPE (Figura 4). Apesar de ter perdido terreno para biópsia de pleura por videotoracoscopia (devido a sua maior acurácia), a biópsia por agulha de COPE tem como principais indicações: na alta suspeita  clínica para tuberculose e nos pacientes com derrames linfocíticos a esclarecer e com risco cirúrgico elevado.

Figura 4

Mesmo a literatura considerando controversa a utilização da radiografia de tórax  após a toracocentese para avaliar a presença de complicações [4], recomendamos  a sua realização rotineira como forma de aumentar a segurança no pós-procedimento garantindo o rápido tratamento de alguma complicação.

Alessandro Wasum Mariani
Cirurgião de Tórax – Professor Colaborador da Disciplina de Cirurgia Torácica FMUSP.
Vice-Presidente do Departamento de Cirurgia Torácica da SPPT

Luiz Tenório Siqueira
Coordenador da Radiologista Intervencionista da Rede D’Or – São Luiz. 
Clinical Fellowship em radiologia intervencionista no Massachusetts General Hospital – Harvard University


Referências 
1 – Sales R, Onishi R. Thoracentesis and pleural biopsy. J Bras Pneumol. 2006;32 Suppl 4:S170-3.
2 – Mercaldi CJ, Lanes SF. Ultrasound guidance decreases complications and improves the cost of care among patients undergoing thoracentesis and paracentesis. Chest. 2013 Feb 1;143(2):532-538.
3 – Ault MJ, Rosen BT, Scher J, Feinglass J, Barsuk JH. Thoracentesis outcomes: a 12-year experience. Thorax. 2015 Feb;70(2):127-32. 
4 – Petersen WG, Zimmerman R. Limited utility of chest radiograph after thoracentesis. Chest 2000; 117:1038.

Acompanhem pelo site: www.sppt.org.br, newsletter ou na página do Facebook da SPPT: https://www.facebook.com/SocSPPT/. 

Divulgação exclusiva da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia – SPPT

Dra. Eloara Campos – Diretora de Divulgação da SPPT

https://sppt.org.br/wp-content/uploads/2019/04/spp7bbbe1a1e942403735eb8edef9ff153d.jpg 72 100 Jessica https://sppt.org.br/wp-content/uploads/2024/10/logo-sppt-bottom.png Jessica2019-04-23 15:41:322019-04-23 15:41:32Série 2: Métodos Diagnósticos em Cirurgia Torácica – Toracocentese

Entrevista na TV Camara com a Dra. Marcia Telma Savioli

23 de abril de 2019/em Notícias/por Jessica
https://sppt.org.br/wp-content/uploads/2019/04/sppff4e7bcd448d148f6d198a2ec02637d7.jpg 72 100 Jessica https://sppt.org.br/wp-content/uploads/2024/10/logo-sppt-bottom.png Jessica2019-04-23 15:36:112019-04-23 15:36:11Entrevista na TV Camara com a Dra. Marcia Telma Savioli

CBHPM para reajuste médico

23 de abril de 2019/em Notícias/por Jessica

Leitura

Essa Lei vai pegar
https://sppt.org.br/wp-content/uploads/2019/04/sppd7890aa20e0b215fd09fe47b8ccc9fa7.jpg 72 100 Jessica https://sppt.org.br/wp-content/uploads/2024/10/logo-sppt-bottom.png Jessica2019-04-23 15:34:202019-04-23 15:34:20CBHPM para reajuste médico

Aula Departamento de Fisioterapia Respiratória Data: 24/04/2019

23 de abril de 2019/em Notícias/por Jessica

Horário: 20h00

Sede SPPT – Rua Machado Bittencourt, 205 – Térreo – São Paulo/SP
 
Coordenação:

Departamento de Fisioterapia Respiratória da SPPT

Telefone para contato:
0800 171618

Tema: “Efeitos de programas de reabilitação na capacidade funcional em pacientes com Hipertensão Pulmonar”.

Palestrantes:
Etiene Farah Teixeira de Carvalho – Fisioterapeuta, mestre e doutora em Ciências da Reabilitação pela UNINOVE e pós-doutoranda na mesma instituição.

Público Alvo:
Fisioterapeutas e Acadêmicos de Fisioterapia

Obs:
– Para recebimento do certificado será cobrada uma taxa de R$ 10,00 do Não sócio.
– Comparecer ao local no dia da aula, Não há necessidade de inscrição.

https://sppt.org.br/wp-content/uploads/2019/04/spp4226431b6c1d9c37e5352cf456a1fff8.jpg 73 100 Jessica https://sppt.org.br/wp-content/uploads/2024/10/logo-sppt-bottom.png Jessica2019-04-23 15:31:492019-04-23 15:31:49Aula Departamento de Fisioterapia Respiratória Data: 24/04/2019
Página 15 de 16«‹13141516›

Páginas

  • Agenda de Eventos
  • Associe-se
  • Aulas gravadas
  • Cartilhas SPPT
  • Central de Certificados
  • Comissões e Departamentos
  • Datas comemorativas
  • Diretoria em exercício
  • Equações de função pulmonar
  • Estatuto
  • Início
  • Início
  • Medicação Alto Custo
  • Política de privacidade
  • Regionais
  • SPPT
  • Tratamento da DAAT

Categoria

  • Notícias
  • Sem categoria

Arquivo

  • maio 2026
  • abril 2026
  • março 2026
  • janeiro 2026
  • novembro 2025
  • outubro 2025
  • setembro 2025
  • agosto 2025
  • junho 2025
  • maio 2025
  • dezembro 2024
  • outubro 2024
  • abril 2024
  • março 2024
  • fevereiro 2024
  • novembro 2023
  • outubro 2023
  • setembro 2023
  • agosto 2023
  • junho 2023
  • maio 2023
  • abril 2023
  • fevereiro 2023
  • dezembro 2022
  • novembro 2022
  • outubro 2022
  • setembro 2022
  • agosto 2022
  • julho 2022
  • junho 2022
  • maio 2022
  • abril 2022
  • fevereiro 2022
  • novembro 2021
  • outubro 2021
  • setembro 2021
  • agosto 2021
  • junho 2021
  • maio 2021
  • abril 2021
  • março 2021
  • fevereiro 2021
  • janeiro 2021
  • novembro 2020
  • outubro 2020
  • agosto 2020
  • julho 2020
  • junho 2020
  • maio 2020
  • abril 2020
  • março 2020
  • janeiro 2020
  • novembro 2019
  • outubro 2019
  • setembro 2019
  • maio 2019
  • abril 2019

Entidade sem fins lucrativos, de caráter científico e cultural, visa congregar médicos e profissionais.

Informações

  • 11-5080-3725 / 11-95783-0178
  • Rua Machado Bitencourt, 205 – Vila Clementino, São Paulo – SP, 04044-000

Páginas

  • SPPT
  • Agenda de Eventos
  • Pneumologia Paulista
Área do associado

Certificados

  • Validar certificado
Associe-se

Encontre um Pneumologista perto de você

Clique aqui

2026© Copyright - SPPT | By Agência Webgui
  • Link to Instagram
  • Link to Facebook
Scroll to top Scroll to top Scroll to top

Este site usa cookies para análises, personalização e publicidade. Reveja a nossa política de cookies para saber mais. Ao continuar a navegar, concorda com a nossa utilização de cookies.

AceitarPolítica de Cookies

Cookie and Privacy Settings



How we use cookies

We may request cookies to be set on your device. We use cookies to let us know when you visit our websites, how you interact with us, to enrich your user experience, and to customize your relationship with our website.

Click on the different category headings to find out more. You can also change some of your preferences. Note that blocking some types of cookies may impact your experience on our websites and the services we are able to offer.

Essential Website Cookies

These cookies are strictly necessary to provide you with services available through our website and to use some of its features.

Because these cookies are strictly necessary to deliver the website, refusing them will have impact how our site functions. You always can block or delete cookies by changing your browser settings and force blocking all cookies on this website. But this will always prompt you to accept/refuse cookies when revisiting our site.

We fully respect if you want to refuse cookies but to avoid asking you again and again kindly allow us to store a cookie for that. You are free to opt out any time or opt in for other cookies to get a better experience. If you refuse cookies we will remove all set cookies in our domain.

We provide you with a list of stored cookies on your computer in our domain so you can check what we stored. Due to security reasons we are not able to show or modify cookies from other domains. You can check these in your browser security settings.

Other external services

We also use different external services like Google Webfonts, Google Maps, and external Video providers. Since these providers may collect personal data like your IP address we allow you to block them here. Please be aware that this might heavily reduce the functionality and appearance of our site. Changes will take effect once you reload the page.

Google Webfont Settings:

Google Map Settings:

Google reCaptcha Settings:

Vimeo and Youtube video embeds:

Privacy Policy

You can read about our cookies and privacy settings in detail on our Privacy Policy Page.

Política de privacidade
Aceitar Ocultar apenas notificação