Programa de Residência Médica da Prevent Senior


DIRETORIA
Presidente: Frederico Leon Arrabal Fernandes
Vice-Presidente: Suzana Erico Tanni Minamoto
Secretário Geral: Rodrigo Abensur Athanazio
1ª Secretária: Evelise Lima
Diretor de Finanças: Willian Salibe Filho
Diretor de Assuntos Científicos: Gustavo Fabichew Prado
Diretora de Divulgação: Eloara Vieira Machado F. A. da Silva Campos
Diretor de Informática: Marcos Naoyuki Samano
Diretor de Assuntos do Interior: Luis Renato Alves
Comissões
Defesa Profissional: Ricardo Mingarini Terra
Ensino: Regina Célia Carlos Tibana
Promoções: José Gustavo Barian Romaldini
Assuntos da Grande São Paulo: Rafael Rodrigues de Miranda
Publicações: Aldo Agra de Albuquerque Neto
DEPARTAMENTOS
Cirurgia Torácica:
Alessandro Wasum Mariani
Fabio José Haddad
Júlio Mott Ancona Lopez
Endoscopia Respiratória:
Ascedio José Rodrigues
Felipe Nominando Diniz Oliveira
Bruno Leôncio de Moraes Beraldo
Pediatria:
Karina Pierantozzi Vergani
Adyleia Aparecida Dalbo Contrera Toro
Maria Fernanda B. Hernandez Perez
Fisioterapia Respiratória:
Luciana Dias Chiavegato
Lara Maris Nápolis Goulart Rodrigues
Renata Ferrari Castan
Conselho Fiscal:
Efetivos:
Ubiratan de Paula Santos
Mauro Gomes
Maria Raquel Soares
Suplentes:
João Marcos Salge
Liana Pinheiro Santos
Maria Vera Cruz de Oliveira Castellano
Regionais:
Regional do ABC
Presidente: Mônica Silveira Lapa
Secretário: Adriano Cesar Guazzelli
Regional de Araraquara / Bauru / Botucatu
Presidente: José Eduardo Bergami Antunes
Secretário: Marcos Abdo Arbex
Regional de Campinas
Presidente: Paulo Roberto Tonidandel
Secretário: Mauricio Sousa de Toledo Leme
Regional de Marília
Presidente: Gisele César de Rossi Agostinho
Secretária: Maria de Lourdes Marmorato Botta Hafner
Regional de Ribeirão Preto
Presidente: Pedro Luis Pompeu da Silva
Secretário: Paulo Antônio de Morais Faleiro
Regional de Santos
Presidente: José Eduardo Gregório Rodrigues
Secretário: Alex Gonçalves Macedo
Regional de São José dos Campos
Presidente: José Roberto Megda Filho
Secretária: Mariah Prata Soldi Passos Taube
Regional de São José do Rio Preto
Presidente: Benedito Aparecido Caiel
Secretário: Luis Homsi
Objetivo da Jornada: promover atualização sobre os avanços no diagnóstico e tratamento da DPOC
Data: 29/06/2019
Local: Hotel JP Ribeirão Preto
Via Anhanguera KM 306,5 Ribeirão Preto/SP
| 08h00 – 08h15 | Inscrições |
| 08h15 – 08h30 | Abertura |
| 08h30 – 09h50 | Mesa I – Diagnóstico |
| 08h30 – 08h50 | DPOC pela função pulmonar |
| 08h50 – 09h10 | DPOC pela imagem |
| 09h10 – 09h30 | Early COPD – Novas estratégias para o diagnóstico precoce |
| 09h30 – 09h50 | Discussão |
| 09h50 – 10h30 | Coffee-break |
| 10h30 – 11h50 | Mesa II – DPOC e comorbidades, quando e como investigar? |
| 10h30 – 10h50 | SAOS e Hipoventilação |
| 10h50 – 11h10 | ICC + DPOC |
| 11h10 – 11h30 | Quando e como investigar” “Câncer de Pulmão” em pacientes com “DPOC” |
| 11h30 – 11h50 | Discussão |
| 11h50 – 12h00 | Intervalo |
| 12h00 – 13h00 | Simpósio Satélite da Boehringer Ingelhein |
| 13h00 – 13h10 | Intervalo |
| 13h10 – 14h30 | Mesa III – Tratamento: Novas estratégias no manejo da DPOC |
| 13h10 – 13h30 | CAT e/ou mMRC para estratégia de tratamento e resposta |
| 13h30 – 13h50 | Mono, dupla ou tripla terapia: Qual o papel no tratamento da DPOC |
| 13h50 – 14h10 | Tratamento do Tabagismo |
| 14h10 – 14h30 | Discussão |
| 14h30 – 15h00 | Coffee Break |
| 15h00 – 16h20 | Mesa IV – Avanços Terapêuticos em DPOC? |
| 15h00 – 15h20 | Oxigenoterapia domiciliar prolongada, há grupos que respondem diferente? |
| 15h20 – 15h40 | Tratamento do enfisema por válvulas: Indicação e experiência clinica |
| 15h40 – 16h00 | Tratamento paliativo, o que fazer? |
| 16h00 – 16h20 | Discussão |
| 16h20 – 16h30 | Encerramento |
https://www.youtube.com/watch?v=bCf007RbElIEntrevista na TV Camara com a Dra. Marcia Telma Savioli, responsável pela subcomissão deTuberculose da SPPT, falando sobre “Tuberculose, prevenção e tratamento”
A toracocentese consiste na punção com agulha fina do espaço pleural, por via transparietal, realizada para a coleta de fluidos[1]. A principal indicação é “diagnóstica” (coleta de amostra do derrame pleural para exames) ou “alívio” (retirada de maior volume para melhora da mecânica ventilatória). Todavia, em boa parte dos procedimentos, esses dois objetivos se mesclam.
Trata-se de um procedimento bastante seguro, minimamente invasivo, realizado com anestésico local, muitas vezes na beira do leito.
Não existem contraindicações absolutas, contudo, em algumas condições, o risco vs benefício devem ser criteriosamente avaliadas. As mais frequentes são as alterações na coagulação, que devem ser corrigidas, assim como o uso de medicações anticoagulantes interrompido.
Contraindicações relativas são lesões cutâneas e o volume de derrame pleural inferior a 10 mm na radiografia de tórax em decúbito lateral. Se a punção for guiada por ultrassonografia, ela pode ser feita com segurança mesmo em pequenos acúmulos líquidos pleurais.
A ventilação mecânica não figura como contraindicação, mas atenção ao pneumotórax pós procedimento deve ser redobrada pelo risco de rápida progressão.
Apesar da toracocentese, na maioria dos casos, poder ser realizada com segurança após exame clínico criterioso somado a um exame de imagem (radiografia de tórax ou tomografia). Atualmente, é recomendado o uso do ultrassom para guiar o exame em tempo real sempre que possível, isto permite uma maior precisão na escolha do local de punção, além de avaliar sinais de loculação, estimar o volume de líquido (Figura 1) e, após o final do procedimento, avaliar volume residual e aparecimento de complicações, como pneumotórax. Em última análise, o uso do ultrassom durante a toracocentese resulta em procedimento mais efetivo e com menor probabilidade de complicações.[2]

A punção torácica é realizada geralmente com Jelco calibre 14G (Figura 2) ou 16G, todavia, alguns autores utilizam o cateter de acesso venoso central por ser mais longo ou cateteres comerciais próprios para a punção de tórax, entretanto, o custo pode ser uma limitação ao uso destes. Deve-se sempre procurar tangenciar a borda superior do arco costal para reduzir o risco de lesões de vasos intercostais.

O procedimento é realizado preferencialmente com o paciente sentado, com os braços apoiados para frente sobre um anteparo, por exemplo, uma mesa de Mayo com travesseiro (Figura 3). Para os pacientes em que este posicionamento não pode ser obtido sugere-se o decúbito lateral do lado do derrame ou semi-sentados no leito.

Devido ao risco de edema de reexpansão, os sistemas de pressão negativa – como os frascos a vácuo – quando utilizados, devem ser utilizados com cautela. Recomenda-se ainda que o procedimento seja interrompido se o paciente apresentar desconforto respiratório, dor torácica, tosse ou hipotensão. Sabe-se que retirada de volumes superiores a 1.500 ml de líquido por sessão aumenta o risco de edema pulmonar de reexpansão.
Uma observação importante é a correta separação do líquido pleural para analise, respeitando-se as normas do seu laboratório, por exemplo, álcool 70% para citologia oncótica.
As complicações mais frequentes são: pneumotórax (incidência entre 3% e 19%), hemotórax, reflexo vago-vagal, dor e tosse. Os primeiros ocorrem pela punção inadvertida do pulmão (pneumotórax) ou de vasos na parede (hemotórax) e são geralmente tratados com drenagem torácica fechada. Os últimos ocorrem com maior frequência ao final da toracocentese principalmente na retirada de volumes superiores a 1.500 ml. Outras complicações, menos frequentes, são: a infecção local, lacerações hepáticas ou esplênicas.[3]
A biópsia de pleura por agulha pode ser realizada por técnica semelhante à toracocentese, mas depende da disponibilidade de agulhas apropriadas. No Brasil, o modelo mais difundido é a agulha de COPE (Figura 4). Apesar de ter perdido terreno para biópsia de pleura por videotoracoscopia (devido a sua maior acurácia), a biópsia por agulha de COPE tem como principais indicações: na alta suspeita clínica para tuberculose e nos pacientes com derrames linfocíticos a esclarecer e com risco cirúrgico elevado.

Mesmo a literatura considerando controversa a utilização da radiografia de tórax após a toracocentese para avaliar a presença de complicações [4], recomendamos a sua realização rotineira como forma de aumentar a segurança no pós-procedimento garantindo o rápido tratamento de alguma complicação.
Alessandro Wasum Mariani
Cirurgião de Tórax – Professor Colaborador da Disciplina de Cirurgia Torácica FMUSP.
Vice-Presidente do Departamento de Cirurgia Torácica da SPPT
Luiz Tenório Siqueira
Coordenador da Radiologista Intervencionista da Rede D’Or – São Luiz.
Clinical Fellowship em radiologia intervencionista no Massachusetts General Hospital – Harvard University
Referências
1 – Sales R, Onishi R. Thoracentesis and pleural biopsy. J Bras Pneumol. 2006;32 Suppl 4:S170-3.
2 – Mercaldi CJ, Lanes SF. Ultrasound guidance decreases complications and improves the cost of care among patients undergoing thoracentesis and paracentesis. Chest. 2013 Feb 1;143(2):532-538.
3 – Ault MJ, Rosen BT, Scher J, Feinglass J, Barsuk JH. Thoracentesis outcomes: a 12-year experience. Thorax. 2015 Feb;70(2):127-32.
4 – Petersen WG, Zimmerman R. Limited utility of chest radiograph after thoracentesis. Chest 2000; 117:1038.
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Divulgação exclusiva da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia – SPPT
Dra. Eloara Campos – Diretora de Divulgação da SPPT
A Comissão de Circulação Pulmonar da SPPT apresentará mensalmente uma sugestão de leitura de um artigo de relevância da área feito por um especialista. Para estrear esta “Seção” convidamos o Professor Adjunto Dr. Hugo Hyung Bok Yoo, da Disciplina de Pneumologia Faculdade de Medicina de Botucatu-Unesp.
Jaquelina Sonoe Ota-Arakaki
Coordenadora da SubComissão de Circulação Pulmonar
Management appropriateness and outcomes of patients with acute pulmonary embolism.
Jiménez D, Bikdeli B, Barrios D, Morillo R, Nieto R, Guerassimova I, Muriel A, Jara-Palomares L, Moores L, Tapson V, Yusen RD, Monreal M; RIETE investigators.
Eur Respir J. 2018 May 10;51(5). pii: 1800445. doi: 10.1183/13993003.00445-2018.
Um algoritmo contempla uma sequência lógica de instruções que direciona passo a passo de procedimentos para resolução de um problema. No caso de embolia pulmonar há diretrizes nacionais e internacionais que embasados em estudos relevantes da literatura sugerem as instruções mais plausíveis.
Apesar disso, em recente estudo, Jiménez e colaboradores demonstraram percentual importante de serviços, que por diversas razões não seguem as diretrizes propostas na rotina clínica diária. De forma surpreendente esta não adesão às diretrizes foi relacionada às indicações de anticoagulação, do uso de trombolíticos e de filtro de veia cava inferior. O não seguimento das recomendações de diretrizes no manejo de embolia pulmonar foi associado a maiores riscos de morte, de recorrência de tromboembolia venosa e de sangramento maior.
Embora no mundo real em que vivemos, nem sempre o algoritmo proposto é factível de ser seguido de forma fiel, as instituições e sociedades médicas envolvidas com essa doença devem-se alertar e concentrar os esforços para instituir estratégias que possam melhorar a adesão à melhor prática clínica.
Professor Adjunto Dr. Hugo Hyung Bok Yoo
Disciplina de PneumologiaFaculdade de Medicina de Botucatu-Unesp

A espirometria é o teste de função pulmonar mais comum para avaliar a saúde dos seus pulmões, sendo útil para ajudar a diagnosticar e tratar várias doenças respiratórias. Neste exame, você enche seus pulmões com o máximo de ar que puder e depois sopra com força rapidamente em um aparelho chamado espirômetro. O espirômetro mede todo o ar que a pessoa consegue soprar por meio de uma variável chamada Capacidade Vital Forçada (CVF) e também a velocidade da saída do ar dos pulmões, especialmente no primeiro segundo do teste (VEF1: Volume Expiratório Forçado no 10 Segundo). O teste é indolor (sem injeções, picadas, comprimidos) e, geralmente, dura menos de 15 minutos. Se um medicamento é usado no teste, via de regra, é por via inalatória. Não é necessário jejum para a realização do exame.
Uma pessoa deve deve realizar uma espirometria se:
a) Sente falta de ar (por exemplo quando caminha rapidamente).
b) Tosse muito.
c) Se está preocupada com a saúde dos seus pulmões.
d) Se já está recebendo tratamento para uma doença pulmonar.
e) É fumante ou fumava (o cigarro frequentemente provoca, entre outros prejuízos para a saúde, a queda da função pulmonar).
f) Se trabalha em determinadas condições ambientais com maior potencial de causar doenças respiratórias.
Como é realizado o exame? O técnico em espirometria ou o seu médico pneumologista irá mostrar como soprar no espirômetro. Durante o exame é necessário utilizar um tubete descartável na boca e um clipe macio sobre o nariz para evitar que o ar vaze pelas narinas. Ao iniciar o teste, o paciente será orientado a inspirar profundamente no espirômetro e a seguir será solicitado a soprar com força no espirômetro (de forma similar a de apagar as velas de um bolo de aniversário), continuando a soprar até os seus pulmões estarem vazios, sendo que neste momento será orientado a parar. Em alguns exames, as manobras serão repetidas após alguns minutos da inalação de uma medicação broncodilatadora para verificar se há melhora da sua função pulmonar com o medicamento inalatório.
Entendendo os resultados. O pneumologista analisará os resultados, por meio de gráficos, para verificar como os pulmões estão funcionando e se apresentam valores dentro da faixa de referência para a população brasileira. Para cada pessoa existe uma gama de resultados que é considerada normal de acordo com a idade e altura. Em linhas gerais:
a) Se a quantidade de ar que o paciente consegue soprar durante o primeiro segundo é baixa, você pode ter um estreitamento das vias aéreas possivelmente devido a asma ou doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC, uma doença que engloba enfisema pulmonar e bronquite crônica).
b) Se está em uso de medicamentos para asma ou DPOC, a espirometria pode ser utilizada para verificar se o tratamento está sendo eficaz.
c) Se a quantidade de ar que o paciente consegue soprar durante toda a manobra respiratória, seja ela lenta ou forçada, estiver reduzida, existe a possibilidade da presença de doença restritiva associada como, por exemplo, doenças fibrosantes.
d) O teste também pode ser útil em outras condições clínicas (no caso de doenças cardíacas ou reumáticas, que podem comprometer os pulmões).


Além das principais indicações descritas, existem outras possibilidades diagnósticas e outros achados que podem ser interpretados durante a avaliação deste exame, por exemplo, avaliação pré-operatória de cirurgias abdominais ou torácicas, compressões intra ou extrapulmonares, comprometimento neurológico da musculatura ventilatória, entre outros.
Importante. Como em qualquer procedimento médico, é fundamental que o exame seja executado seguindo normas de máxima qualidade, uma vez que o resultado direcionará seu médico a um diagnóstico e decidir por um tratamento. O médico mais treinado para supervisionar e emitir os laudos de espirometria é um pneumologista com certificado emitido pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Portanto, solicite que seu exame seja efetivamente realizado e analisado por médicos especialistas que possuam estas competências.
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Esperamos que essas séries sejam úteis e construtivas para nossa prática clínica!
Dr. Roberto Rodrigues Junior
Especialista em Pneumologia pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), com interesse na área de fisiologia respiratória e função pulmonar. Foi Coordenador do Departamento de Função Pulmonar da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (2008 a 2012). Atualmente é Professor da Disciplina de Pneumologia da Faculdade de Medicina do ABC e Presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (Biênio 2018/19).
Links de interesse:
3.https://www.ers-education.org/guidelines/global-lung-function-initiative
Divulgação exclusiva da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia – SPPT
Dra. Eloara Campos – Diretora de Divulgação da SPPT

A medida dos volumes pulmonares é um exame de função pulmonar complexo que permite ao pneumologista saber exatamente qual a capacidade pulmonar de um indivíduo e quais alterações são responsáveis pelos sintomas apresentados, como por exemplo, na avaliação da falta de ar (dispneia). A determinação destes parâmetros (Figura 1) complementa a espirometria e oferece informações essenciais para a caracterização das doenças pulmonares.

Como é realizado o exame?
Os volumes pulmonares podem ser avaliados através de três métodos funcionais:
1. Pletismografia de corpo inteiro
2. Wash Out (Lavagem) de nitrogênio e
3. Diluição dos gases inertes
Em indivíduos normais e pacientes com doenças restritivas, todos dão resultados semelhantes. Em pacientes com doenças obstrutivas, os dois últimos métodos podem subestimar significativamente os volumes obtidos por pletismografia. Do ponto de vista técnico, todos os métodos descritos medem a capacidade residual funcional (CRF). A esta medida soma-se a capacidade inspiratória (CI) e obtém-se a capacidade pulmonar total (CPT). O volume residual (VR) é obtido subtraindo a capacidade vital (CV) da CPT. Dos quatro volumes e das quatro capacidades pulmonares, três são essenciais pela sua importância fisiopatológica na avaliação funcional pulmonar: a CPT, a CRF e o VR. Igualmente, as relações VR/CPT e CRF/CPT tem importância diagnóstica. A CV é dependente das alterações ao nível do VR e da CPT.
A pletismografia de corpo inteiro é o método padrão-ouro de medida dos volumes pulmonares. De forma simplificada, o paciente senta-se em uma cabine hermeticamente fechada conectada a um bucal e arfa contra uma válvula fechada ao nível da CRF. O volume de gás torácico é calculado pela inclinação da curva de pressão-volume obtida pela compressão e descompressão do gás dentro do tórax durante a manobra. Comparado aos outros métodos, é um teste mais rápido, facilmente reprodutível e mais acurado. A principal desvantagem é o tamanho e o custo do equipamento.
Como entender os resultados?
Na prática, a medida dos volumes pulmonares é particularmente útil nas seguintes situações:
1. Confirmar a presença de um distúrbio ventilatório restritivo. Os distúrbios restritivos caracterizam-se por redução dos volumes pulmonares. A redução da CV na espirometria tem baixo valor preditivo positivo para diagnóstico de restrição. Nestes casos, a presença de CPT abaixo dos valores previstos é o único parâmetro com acurácia de 100% para o diagnóstico de restrição. O VR e a relação VR/CPT podem ser usados para identificar a causa da restrição. Nas doenças parenquimatosas (doenças intersticiais fibrosantes, por exemplo), o VR e a CPT estão proporcionalmente reduzidos e, portanto, a relação VR/CPT está normal; nas doenças da parede torácica (doenças neuromusculares, cifoescoliose, etc.), o VR está normal (pode estar aumentado nas doenças neuromusculares), a CPT encontra-se reduzida e, portanto, a relação VR/CPT está elevada.
2. Caracterizar a redução da capacidade vital. A CV representa o maior valor de ar mobilizado a partir de uma inspiração máxima. Compreende três volumes primários: volume corrente, volume de reserva inspiratória e volume de reserva expiratória e, em indivíduos normais, corresponde a 70-75% da CPT. A redução da CVF é um achado frequente nos exames de rotina e, pode ser decorrente de vários fatores: restrição, aprisionamento aéreo, obesidade, entre outros. Nestes casos, a medida dos volumes pulmonares é fundamental.
3. Avaliação complementar nos distúrbios obstrutivos. Nas doenças obstrutivas, principalmente na DPOC, pode haver aprisionamento aéreo (↑ VR) levando à hiperinsuflação (↑ CPT) e, consequentemente, dispneia e intolerância ao exercício. Além destes volumes absolutos, a utilização da relação entre eles tem significado prognóstico. Na DPOC, uma razão CI/CPT reduzida (<25%) é um marcador independente de mortalidade. Caso as medidas sejam realizadas após broncodilatador, pode-se avaliar a resposta através da redução do VR (> 0,40 L).
Os valores de referência sugeridos para comparação com os valores obtidos são os derivados de Crapo et al e Neder et al. Em indivíduos normais, o VR representa aproximadamente 25% da CPT e a CRF por volta de 40%. Os valores obtidos podem ser utilizados para classificação dos distúrbios como descrito na Tabela 1.

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Dr. Marcelo Macchione
Doutor em Pneumologia pela FMUSP, Professor de Pneumologia do Centro Universitário Padre Albino, Faculdade de Medicina de Catanduva. Responsável pela Subcomissão de Função Pulmonar da SPPT.
Links:
1. Series ‘‘ATS/ERS Task Force: Standardisation Of Lung Function Testing’’ https://www.thoracic.org/statements/resources/pfet/pft3.pdf
2. Methods for Measuring Lung Volumes: Is There a Better One? https://www.karger.com/Article/Pdf/444418
Divulgação exclusiva da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia – SPPT
Dra. Eloara Campos – Diretora de Divulgação da SPPT

Entidade sem fins lucrativos, de caráter científico e cultural, visa congregar médicos e profissionais.
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